quinta-feira, 3 de julho de 2014

Eu nunca escrevi um texto sobre você



Eu nunca escrevi um texto sobre você. Não escrevi sobre a noite em que a gente se conheceu naquele pub alternativo da cidade e nem sobre o dia em que obriguei meu amigo a atravessar Bauru só para te encontrar em um outro bar qualquer. Não escrevi sobre o dia em que a gente passou naquela cachoeira e nem sobre as risadas perdidas que demos na estrada. Nunca escrevi sobre as noites de sono que perdemos estacionados na porta da sua casa conversando sobre qualquer coisa ou deixando os corpos falarem por si só. Nunca gastei sequer uma palavra para falar da nossa primeira vez, da nossa primeira viagem, do nosso primeiro Dia dos Namorados juntos, de todas as nossas inesquecíveis primeiras vezes. Nunca, nada.  E eu sempre escrevi sobre todos os que passaram, os que ficaram e depois foram, os que eu gostaria que tivessem ficado e aqueles que, hoje, dou graças a Deus que não permaneceram. Mas sobre você eu nunca consegui escrever. Meu coração nunca me permitiu juntar as frases numa declaração eterna e intensa de amor. Por quê? Porque todos os que se traduziram em palavras já não me pertencem mais. Quebraram, mudaram, redecoraram minha vida e minha mente com cacos e recordações. Tornaram-se lembranças, apenas. Boas ou ruins. Boas e ruins. E se foram. Foram para um lugar que eu não conheço e, sinceramente, não me interessa também. Sofri, chorei, gritei, mas deixei ir. E você? Ah, você não. Você tem ficado e eu quero mesmo que você fique. Que você me mude, me molde, me prenda, me solte, me ligue, me corte, me mate de amor. E esteja aqui agora, amanhã quando eu acordar, todos os dias no meu último suspiro consciente, sempre e para sempre.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Eu deixo você ir


 

Pode ir. Veste o casaco que você deixou atrás da porta do banheiro, calça os tênis sem cadarço que estão debaixo da cama e não esquece de deixar a chave da porta. Da minha porta. Deixa ela em cima da mesa, entre os vestígios do amor que fizemos noite passada. Foi amor, mas foi adeus.
Eu juro que eu tentei, em meio aos sussuros e suspiros, fazer você ficar. Eu diminui as expectativas e aumentei a paciência. Eu caminhei lado a lado e repousei minha mão nos seus cabelos enquanto a sua envolvia minha cintura. Você já tem alguns fios brancos, sabia? Eu guardei as notas do seu perfume enquanto respirava fundo no seu pescoço, tentando prender aquele cheiro comigo pro resto do dia ou da vida, você escolhe.
Eu te amei, sabia? Desse jeito precoce, como tudo o que eu faço, tudo o que eu sou. Eu quis descolar o meu coração remendado pra poder colar o seu. Eu quis entrelaçar meus dedos com os seus só pra ver se sentimentalmente a gente se encaixava tão bem quanto na cama. 
A abstinência já começou. Faz algumas semanas que já não enxergo seu formato no travesseiro e não encontro algum vestígio seu por aqui. Já mandei arrumar o estrado da cama que não aguentou o nosso fogo e a sua escova definitivamente já está em algum lixão da cidade. O seu nome no meu celular já não passa de um João ou Augusto qualquer. A verdade é que você já se foi e eu continuo adiando o ponto final, mesmo sabendo que estou escrevendo até meio apertadinho, pra ver se cabe mais história antes daquele toque brusco da caneta no fim da linha.
Então vai, já que você já foi. Mas não esquece de deixar, junto com a chave, todas as promessas de pra sempre e a minha foto 3x4 que está na sua carteira, que é pra você não lembrar de mim, não olhar pra mim, não falar de mim. Porque escrever sempre foi meu último passo e, depois dessa frase, finalmente chego no ponto final. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Sobre o que o passado faz com a gente


Essa é mais uma noite de quarta-feira. Abri minha Budweiser e aquele pacote de Torcida que estava jogado no fundo do armário há algumas semanas, só para me dar o direito de relaxar por alguns minutos e não pensar em nada. Acho que pedi demais a Deus porque jornalista que é escritora e vice-versa não pode - ou não consegue - se dar ao luxo de não pensar. Foi só o álcool começar a fazer efeito que um milhão de pensamentos começaram a passar pela minha mente um tanto perturbada. Sim, estou escrevendo esse texto já com os dedos meio amortecidos. Podem me julgar.
Fico meio em choque ao pensar em como o passado pode influenciar o nosso presente e, consequentemente, o nosso futuro. Li uma vez no Facebook uma psicóloga falando sobre um tal de um copo e resolvi seguir o lema para a minha vida. Segundo ela, um copo não é pesado, mas pode se tornar conforme o seguramos. Ele é muito leve se o erguermos por 10 segundos, mas pode ficar um pouco desconfortável se o fizermos por 1 hora. Segurando-o por um dia inteiro então, sentimos uma dor tão grande no braço que os 300 gramas que pesa parecem 300 quilos e, então, temos o braço amortecido pelo peso relativo daquele objeto. Ao fim da história, percebemos que o copo é como os nossos problemas. Por menor que eles sejam, é preciso largá-los para que eles não nos imobilizem e nos impeçam de seguir em frente.
O dia em que li esse texto foi esclarecedor. Logo eu que, na época, estava passando por muitos conflitos passado-presente-futuro. Vou ser sincera com vocês: sempre tive uma quedinha pelo passado, tipo amor de infância que não se troca e não se larga, sabe? Sempre gostei de uma nostalgia. E posso dizer que brincar de passado é meio perigoso porque é como uma corrente que te prende a coisas que nem existem mais. E, por não existirem, é difícil se libertar delas.
Não estou dizendo que devemos negar o que vivemos, com quem vivemos, como vivemos. O que aconteceu, aconteceu e, tendo feito bem ou mal, nos moldou para que nos tornássemos o que somos hoje. E acho até justo olharmos para trás, como as crianças que dão tchau para os carros na estrada, porém, é preciso termos a certeza de não trocarmos os pontos finais por vírgulas. Tudo o que aconteceu - nesse tempo verbal - deve ficar onde terminou.
Se eu parar para pensar, consigo enumerar diversos finais nos poucos vinte anos que existo. E, em cada um deles, querendo ou não, fui obrigada a dar enter, apertar o Caps Lock e começar um novo parágrafo. Talvez a vida seja assim mesmo, cheia de começos, meios e fins. Talvez os fins sejam necessários para os recomeços e esses, por sua vez, imprescindíveis para seguir em frente. Então que eu - que a gente -  saiba aceitar os fins, escrever os recomeços e viver a vida que nos é dada todos os dias. Que o presente não seja sombra de um passado distante e que o futuro se re-inicie a cada piscar de olhos.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Ao moço bonito da casa em frente


Oi bonito. Estava com saudades de te chamar assim. Faz tempo, né? Eu sei. Eu tenho lembrado muito de você ultimamente. Da sua calça de pijama e da cicatriz que você tem na barriga. Depois dos meses de choro seguidos pelos dias de raiva, veio a vontade de saber como você tá. Se você ainda perde a hora sem minhas ligações pra te acordar, se você ainda esquece de fechar a janela pra dormir. Odiava ter que levantar da cama quando começava a clarear o quarto pra fechá-la, sabia? Te procurar nas redes sociais já virou mania, necessidade de ainda fazer parte da sua vida mesmo sem você saber. Não pense que não sei que você passou no teste e conseguiu um estágio, nem que você andou de rolo com aquela menina da faculdade. Eu via os sinais sutis nas fotos que você curtia. Não pense que não vi você chorar aquele dia do outro lado da rua, sentado na calçada. Eu sei que você queria entrar. Na verdade, bonito - e meu coração sorri cada vez que eu te chamo assim-, jamais vou me esquecer do cigarro que você tenta mas não consegue largar. E das vezes que eu comprei um da mesma marca que o seu pra tentar te esquecer e me peguei tossindo segundos depois da primeira tragada. Você é igual a essa fumaça que não desce por nada na minha garganta. O que aconteceu com a gente? Achei que éramos pra sempre. Achei que, mais cedo ou mais tarde, a gente ainda ia se pegar, cada um em sua casa, olhando para o nada e dando risada do que a gente foi. Sentindo saudade. Mas não deu né? A nossa história é linda demais para a gente correr o risco de reviver e estragar tudo. Eu gosto de lembrar de você assim, com o sorriso de canto e a cabeça encostada na minha barriga. Gosto de te lembrar feliz. Então vai e não volta. Mas continua essa lembrança boa, essa saudade gostosa. Vai, que eu vou ficar aqui, assistindo você do outro lado da rua, fumando o seu cigarro e me intoxicando sempre de e com você. Vai e faz o favor de ser feliz, porque se você não for, bonito, eu juro que eu corro de volta pro seu abraço e faço de você o meu mundo de novo.


domingo, 1 de setembro de 2013

Uma carta ao passado


Havia muitas coisas que ela gostaria de ter te dito aquele dia. Havia um mundo inteiro que ela gostaria de ter explicado. Todas as razões e todos os caminhos errados que vocês tomaram e ela queria mesmo ter te contado. Ela precisava te dizer sobre todas as curvas que ela fez e todas as vezes que ela quis olhar para trás e não conseguiu. Ela tentou e você sabe. Até parece que você não lembra daquele sorriso de canto que ela dava só para você. Até parece que você não lembra daquela noite em que vocês fugiram de tudo e todos e sentaram na calçada do quarteirão ao lado. Só vocês dois e os segredos que vocês contaram um para o outro. Você falou do seu avô, ela contou sobre os problemas com o pai e sobre uma época bem sombria da vida dela. Aquela havia sido uma noite importante para ela, para vocês. Mas ela queria mesmo ter dito muito, ter dito tudo mas não conseguiu. Você lembra dos olhos dela? Do desespero que você enxergou neles aquele dia? Do quanto ela evitou olhar no fundo dos seus olhos e do tanto que a respiração dela pesava? Vocês se abraçaram e ela chegou a molhar sua camiseta de tanto chorar. Ela estava vestindo a sua blusa e eu sei que você lembra disso. Eu sei que você olhou bem e pensou que meu deus ela ainda é linda demais mesmo com esses olhos inchados e o coração apertado, meu deus, ela é. Ela achava que sabia o que era solidão até bater o portão na sua cara aquele dia. Ela pediu para você ficar, ela implorou com todas as forças que ela nem sabia que ainda tinha. Ela fechou os olhos e rezou forte pra não ser verdade, pra abrir os olhos e encontrar os seus do outro lado da cama em mais um domingo preguiçoso. Você não olhou para trás. Você não viu o mundo dela desmoronar junto com cada grito silencioso que ela soltou. Rapaz, você foi muito burro. Você foi porque aquela menina que você deixou para trás é o meu mundo agora. Eu luto todos os dias para apagar dela cada cicatriz que você deixou. Eu olho no fundo dos olhos dela e digo que eu não vou embora. Eu vou fazer por ela, rapaz, tudo o que você não fez. Eu vou ficar. E eu vou segurar a mão dela quando as coisas ficarem feias e vou fazer questão de sussurrar o quanto ela é linda e que eu a amo, porque eu amo. E ela vai ser feliz. Ela vai. Ela vai, rapaz, porque é o sorriso dela que abre o meu, é o toque dela que dá vida a um milhão de sensações que eu nem sabia que existiam. Ela é o meu mundo agora, rapaz. Então tira da sua cabeça que ela ainda pensa em você, que ela vive e morre por você. Você é um passado que eu tô fazendo questão de apagar da memória dela. É no meu abraço que ela adormece agora, sabia? É no meu colo que ela senta e é no meu pescoço que ela respira fundo. Você sabe do que eu tô falando, não é? Ah, rapaz, você foi burro e eu sou grato porque você foi embora e eu a encontrei. E hoje eu sou mais feliz porque ela finalmente disse que me ama. Ela me ama e você se foi. Acabou, rapaz, acabou.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Numa tarde qualquer



Hoje você me pegou de surpresa. Quer dizer, não você, de fato, porque não sei por onde você anda, muito menos o que tem feito. Mas eu lembrei do seu abraço naquela tarde de um dia qualquer. Nós estávamos juntos há pouco mais de 4 meses, eu acho... Nós brigamos por alguma coisa boba que eu nem lembro exatamente o que era e eu levantei a hipótese de cada um ir para o seu canto, seguir a sua vida. Você disse não saber o que fazer e alguns minutos depois sumiu do chat da Facebook. Eu juro que achei que aquele seria o nosso fim. Mas 10 minutos depois você estava parado no portão da casa que eu chamava de minha. Você entrou, me abraçou forte e me deu um beijo que eu jamais vou esquecer. Naquele momento, mesmo que sem palavras - já que eu já sei que você não é bom com elas - você me pediu para ficar. E eu fiquei porque, nos seus braços e com todos os nossos erros, eu me sentia segura. E eu fiquei até você decidir ir embora. E você foi. Eu fiquei por mais um tempo e depois aceitei que era hora de caminhar também. Sumi com as nossas fotos, joguei fora o que sobrou de você por aqui e até comprei aquele sapato que você dizia que era horrível, só pra dizer pra mim mesma que agora não importava mais. E então eu fui, eu te deixei também. E tenho ido embora a cada dia mais. Nós já somos dois estranhos trilhando caminhos diferentes, em estradas que não se cruzam mais. E do que passou, ficou mais uma das cicatrizes que coleciono nisso que chamo de coração. E ele ainda bate e bate forte, mesmo machucado. É verdade que a nossa história chegou ao fim, mas há quem diga que para todo fim, há um recomeço.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Tanto e muito mais



Não sei escrever sobre você. Não sei escrever do que eu ainda não conheço muito bem e talvez também porque você me assusta. Não sei falar sobre amores verdadeiros, por mais que eu insista em escrever sobre eles. Não conheço, nunca vivi. Não sei decifrar esse seu olhar quando para o carro em frente de casa sempre que você insiste em me dar carona, mesmo sabendo que meu carro tá na garagem e o tanque tá cheio. Ainda não.

Ainda não. Isso me dá esperança. Porque a gente pode ser, sabe? A gente pode. A gente pode ser o que faltava um no outro, a gente pode ser o tampão desse vazio que insiste em deixar claro que existe. A gente pode ser a primeira mensagem do dia e a ligação de boa noite. E a gente já é, sabe? Mas a gente pode ser muito mais.

Você já é muito mais. Muito mais do que eu esperava em pouco menos de dois meses. Muito mais do que muita gente que ficou muito menos em tanto tempo. Muito mais do que o meu racional consegue entender.

E eu não quero entender. Coração é assim mesmo, a gente não explica e a gente não entende. Mas a gente se entende, e é isso que importa. E eu vou rir das suas loucuras e das coisas que você abre mão só para poder passar duas ou três horas comigo. Vou te chamar de imbecil quando na verdade meu rosto mal comporta o sorriso que eu tenho vontade de abrir.

Você me faz sorrir. E é isso que me importa agora porque fazia um tempo que ninguém me fazia rir mais do que chorar. Fazia tempo que ninguém se preocupava a ponto de querer saber se eu já cheguei, se eu já fui, onde eu estou. E eu estou aqui. O que são 340 quilômetros quando se tem tudo do outro lado da vida e no fim da estrada? O destino, que é você, faz a distância valer a pena. Faz a vida valer a pena. É por isso que eu digo sempre que eu vou, mas eu volto. Me espera!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O tempo passa e apaga... será?


Dizem que o tempo apaga. 

Mas quanto tempo leva para o tempo ser tempo e apagar o tempo que ficou? Dizem que o tempo cura, mas quanto tempo ele leva? E cura mesmo ou apenas faz esquecer algo que doeu? E cura  tudo ou cura só uma parte pra ter forças para seguir em frente? 

Acho que esse tal de tempo nunca foi muito com a minha cara. Os dias passam e as lembranças ficam. Só me resta esperar que, dessa vez, o tempo te leve com ele. Pra longe do aperto do coração, pra longe dos olhos, pra longe das mãos. 

O Adeus é o primeiro passo e já foi dado, mesmo com a voz fraca, mesmo com os olhos molhados, mesmo com a perna bamba. Um Adeus indesejado, mas necessário.

 O tal do tempo corrói a gente. Passa, dia após dia, para nos lembrar que é maior que tudo. Então vai tempo, cumpre o seu papel! Passa, derruba, bagunça, arruma, esconde, revela, mata e leva tudo com você.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

A tal da liberdade




Com certeza foram dias difíceis. Não tenho como negar que vivi um ano no êxtase do sentimento, que descobri muitas coisas boas, experiências novas e emoções que eu nem fazia ideia que pudessem existir. Mas, num belo dia, eu cansei de relutar e me acostumei com o pouco. Dizem mesmo que a capacidade do ser humano de se adaptar às coisas é impressionante. Inclusive às ruins. E eu me acostumei com migalhas. 

Há meses deixei que me diminuíssem, que me fizessem acreditar que o problema era eu. Mas não era. Não era porque eu fiz o possível - e até mais - para reverter uma situação que já não tinha volta. Lutei por um relacionamento que já estava fadado ao fracasso porque eu estava sozinha. 

Carreguei você e suas frustrações nas costas, enquanto colocava os meus medos no bolso. E aguentei firme até você perder a noção do respeito. Não estou dizendo que nunca errei, errei sim e feio. Mas eu nunca desisti de consertar os meus erros. 

Racionalmente, o nosso fim foi uma decisão necessária. Emocionalmente, sinto sua falta do momento em que escorrego da cama em meus joelhos ao momento em que o sono me vence. Lembro do seu cheiro e procuro o seu perfume em cada homem que passa ao meu lado. Anseio os seus passos no corredor quando ouço um carro estacionar na garagem. São as lembranças que eu criei de você, a imagem que eu fantasiei. Assumo que já não sei distinguir o que você realmente foi e a imagem que eu pintei em você, tão colorida.

Mas nem a Capitu aguenta me ver chorar mais. Não sei quantas vezes o pelo dela já se molhou e secou enquanto ela dormia perto do meu rosto. Eu tô frágil, mas eu sou forte. Ter a parte boa sem compromisso nenhum é fácil demais. Que sirva de aprendizado para os próximos.

Me recuso a dizer que fui idiota. Não fui. Eu fiz tudo o que o meu coração mandava, eu me esforcei e me empenhei por um compromisso que eu havia firmado, uma aliança que, pelo menos para mim, era mais que um metal segurando meu dedo. Fiz sozinha, mas fiz minha parte. 

Ouvi por aí que fui perfeita, mesmo não gostando dessa palavra. Ouvi que fui corpo, sim, mas fui alma. Não vou me deixar enganar e aceitar que eu fui o problema. Não fui. O que você quer agora é aproveitar suas oportunidades, sua vida, bebidas, mulheres e, só o que eu posso te dizer, é boa sorte, de coração. Boa sorte porque eu sei que essa vida é triste. Depois que o copo seca, não sobra nada.

As suas coisas estão ali naquela caixa. Sua sanduicheira, seu blazer e suas cuecas. Ah, não posso esquecer da aliança que você deixou aqui, talvez numa tentativa de me fazer esperar. Pode levar tudo, porque eu não quero estar presa a alguém que quer essa tal de liberdade, quando na verdade quem está preso à convenções e  orgulhos é você. 

Não quero desacreditar no amor. Já dizia o bom e velho Carpinejar, "liberdade na vida é ter um amor para se prender".



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Demais pra falta que faz aqui



Av Paulista, 16h da tarde. Foi numa andança dessas que faço quando volto pra São Paulo que encontrei, na multidão, olhos conhecidos. Continuei andando até parar na sua frente, quando seus olhos afinaram ao sorriso que você abriu. “Oi, Má, quanto tempo!” Quase não lembrava como minha respiração era leve ao ouvir a sua voz. Quase não reconheci sua pinta do lado esquerdo do rosto, já que agora você usa aquela barba rala que você odiava e eu achava extremamente sexy. Sorri de volta, numa mistura de nostalgia, de vergonha e de vontade de ficar ali, reconhecendo cada traço seu que eu senti tanta falta nesses anos. A gente foi tomar um café no Center 3, onde passamos tardes tomando coca cola de uniforme e mala nas costas. Muito tempo passou, eu não tomo mais refrigerante e você  só fica acordado na base do café. O All Star azul marinho deu lugar aos sapatos sociais, a camiseta do Red Hot às camisas de botão. Percebi que você sorriu quando passamos pela escada onde demos nosso primeiro beijo. Eu estava tão nervosa, meu Deus, você precisou segurar minha mão e dizer que tudo ia ficar bem. Sua segurança sempre me fascinou e vejo que ela ainda está aí. Em momento algum você desviou os olhos dos meus enquanto eu precisava encarar o desenho do chantilly no café pra recuperar a sanidade de minutos em minutos. Vi o céu escurecer do meu lado esquerdo enquanto o café virava chopp gelado. Acho que ficamos ali mais do que deveríamos porque fomos parar no seu apartamento. Você parece ter um emprego legal agora, mora num daqueles prédios pra baixo da Brigadeiro. Sua mãe ainda insiste em mandar comida congelada e não existem muitos vestígios de mulher na sua casa. Do lado da sua cabeceira um livro de Machado que eu quase não percebi, mas foi o que eu te dei quando passou no vestibular. Dentro dele ainda a minha dedicatória desejando vida em excesso, paz, amor, dinheiro e um Adeus. O Adeus que eu não compreendo muito bem até hoje. Simulei uma chamada e disse precisar ir embora. Aquele Adeus não podia ter volta, não agora. Você me parou na porta e me encostou na parede. Sua mão segurou a minha de novo e disse que tudo ficaria bem. Eu pedi pra soltar, desci os oito andares de escada e saí na Av Paulista de volta pra casa da minha mãe mentalizando que definitivamente não sei brincar de passado. As sensações ainda são tão nítidas que pulam na minha cara se eu deixar. Você me adicionou no facebook, pediu meu celular pra minha mãe. Jamais aceitei, jamais atendi. Você é um passado bonito demais pra confundir no meu presente tão bagunçado. Você é seguro demais pra misturar com a minha insegurança.  Por isso eu peço pra não me procurar mais, não me enfeitiça com esse perfume e não me tenta com esse sorriso de canto. Vai embora e esquece o dia de hoje, esquece, esquece tudo. Mas antes, segura minha mão e diz que vai ficar tudo bem de novo.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Meu último Adeus.





Segunda feira, 19h. Ônibus lotado de gente perdida com mentes que buscam se encontrar. Não sei se o caos dessas pessoas é pior ou melhor que o silêncio conturbado que ecoa em mim. Coração apertado. Não sei também quantas vezes olhei a tela do celular desde que saí de casa tentando enxergar seu nome ali. Tentei várias vezes te dar a chance de eu estar errada, mas não. Nada. Olhares desperdiçados e telas vazias. Ainda me pergunto o porquê. Há quem questione como pode ser amor se dói tanto. Será que sou pouco ou simplesmente tanto que sobra? É essa diferença matemática de espaço que machuca. E o pior é que você finge não perceber ou não liga o suficiente para se importar. A verdade é que vivemos e nos entregamos em frequências totalmente diferentes. Eu preciso de você em cada dia da minha semana do meu mês do meu ano da minha vida enquanto você só me quer depois de ter tomado banho, jantado e descansado. Eu quero ficar do seu lado até a fome apertar e a gente resolver pedir Habibs. Minha intensidade me exausta quando comparo com a falta da sua. Será que tanto do pouco tempo que vivemos só serviu pra provar que não nos encaixamos tão bem assim? Sou menina de tantas incertezas mas a certeza do meu sentimento choca com a incerteza do que é real. Dúvidas que você insiste em negar que eu vejo tão claras e sem máscaras. Eu até queria colocar um ponto final no lugar de todas as suas interrogações e terminar por aqui, mas esse texto não comporta finais felizes. E não vai ter. Adeus.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

As paredes roxas...


Eu sei que eu disse que não ia voltar, mas juro que tudo o que eu queria agora era não ter saído do teu abraço naquela tarde quente que você me deixou aqui. Eu quis ficar e eu não olhei pra trás, eu não te vi chorar.
Eu sei que eu briguei tanto pra vir, não dei valor pra todas as noites que você não dormiu se perguntando o que aconteceria se eu não conseguisse. Eu também não dormia, e eu ouvia suas orações do outro lado da parede.
E eu sei que você também me ouvia chorar, sentia minha dor. E doía, viu? Doía precisar do mundo e só ter aquelas quatro paredes. E agora dói ter todo o mundo menos aquelas quatro paredes. Roxas né? Eu lembro delas... e do cheiro delas... do barulho delas.
Elas me sufocaram por muito tempo quando o sol detrás da janela era tudo o que eu podia ver. Mas a gente cresce e precisa tomar conta da gente. Da casa, da vida. Hoje tudo é tão diferente! O quarto roxo deu lugar às fotos na parede e os móveis brancos foram trocados pela cama de casal e o armário bagunçado. A bagunça que tá sempre na minha cabeça e eu jogo tudo lá dentro, onde só eu e ele podemos ver. E eu queria te falar disso também. Agora tem alguém que cuida de mim enquanto você tá longe. Eu sei que você não gosta da ideia e não concorda com as minhas escolhas, mas eu queria te dizer que é a primeira vez nos últimos anos que eu vejo um túnel. Isso, um túnel pra ter luz no fim porque antes nem isso eu via. Sim, ele me beija a testa mas ele também me faz mulher. A que eu sempre quis ser. O abraço dele ainda não é tão quente quanto o seu, mas me mantém viva. Viva, você ainda lembra como é se sentir assim? Viva? É por isso que dessa vez eu tô olhando pra trás e vendo essas lágrimas nos seus olhos. Mas viu, olha pra cima e vê que tem túnel e tem luz no fim dele. E pára, por favor, pára de chorar. Pára porque a minha felicidade depende da sua e tudo o que eu não queria era te decepcionar. Não chora mais... Por favor?

terça-feira, 12 de junho de 2012



Esse é o primeiro dos setenta textos do Ei, Me encontra! cuja publicação está programada. Dia 12 de junho, 13 horas.

Já é madrugada do dia 11, 3horas e 44minutos. Faz umas três horas que você saiu daqui. Acho que foi a primeira vez que você veio e não ficou. Eu tinha trabalho pra fazer, você também e então foi embora. Eu fiz meu trabalho, juro. E tô com sono também, mas antes eu precisava vir aqui. Te falei que não escrevo por obrigação né? Mas tem hora que é assim, eu preciso.

Amor, esse é o meu presente pra você. 

Talvez eu não seja tão boa com as palavras ao vivo quanto sou quando estamos só eu e a tela desse computador, depois que você já se certificou de que eu jantei, já me arrancou suspiros, levantou cada pelinho das minhas costas, me fez morrer de saudade e ainda me deixou com cara de boba, olhando sua moto virar a esquina e sumir na Henrique Savi. Talvez eu realmente ainda não esteja acostumada com a ideia de depender de alguém tanto assim, de poder ter mil lugares pra ir e coisas pra fazer mas querer apenas fazer nada e ir pros teus braços. A verdade, amor, é que você não tem noção do que você faz comigo. Eu estou sozinha aqui na sala de casa olhando pra blusa que você esqueceu em cima do meu sofá e tudo o que eu queria é que você notasse a ausência dela e viesse buscar. Aliás, porque você não nota a minha ausência e vem me buscar também? Juro que eu faço o almoço que eu prometi meses atrás! Mas vem me buscar, amor, e não me solta nunca mais...

Eu sei que eu disse que são seus olhos que eu nunca esqueço, mas na boa? Eu nunca esqueço é de você inteiro! Do jeito que você me faz ver o mundo, da vontade que eu tenho de viver ao seu lado, do medo de você não estar aqui daqui 6 meses ou 2 anos. Promete que se você for, você me leva junto? Mesmo que seja dentro do seu peito, no seu olhar... mas me leva!

Hoje mesmo você me disse que não gosta de ler meus textos, de ver que existiu história antes de você. De fato, amor, existiu história, mas dessas de contos de fada, sabe? Começo, meio e fim. Acho que é por isso que eu tenho evitado tanto falar de você, de nós. Logo eu que sempre digo que tudo tem um final, achei o meu pra sempre. Talvez seja hora de mudar as coisas por aqui... esse texto é só o começo, e o meu pra sempre é você.

domingo, 8 de abril de 2012

Pra uma vida inteira...


Me enrolo no lençol em busca de calor. Evito olhar para o lado e sentir sua falta. A cama que nunca foi suficiente pro nosso amor agora sobra. Sobra a tua ausência e falta a tua samba canção debaixo do travesseiro. E esse ainda exala o seu perfume que não consigo confundir com nenhum outro. Eu fecho os olhos e tento dormir. Eu aperto os olhos e só quero dormir. Bobeira minha achar que seria capaz de pegar no sono sem saber ao menos onde você está, se está bem, se sente o mesmo frio que eu sinto longe do seu peito que segreda o coração lindo que você tem. 3 da manhã. O relógio do meu lado esquerdo não me deixa esquecer que daqui a pouco eu tenho que levantar pro mundo, vestir minha felicidade e maquiar a saudade pra dizer pra todos que eu te superei. Não, eu não quero outro homem. Eu não quero essa cama ocupada se não for por você. Eu não quero acordar de madrugada se não forem as suas costas que eu vou achar na beira na cama. Eu não quero beijo nenhum de bom dia se não for o do seu piercing que tanto me enlouquece, aí no cantinho do seu lábio. Eu só quero que você saiba que eu ainda durmo com seu moletom, que eu te espero no meu lençol todas as noites. Eu acho mesmo que você devia deixar esse seu orgulho no caminho pra minha casa, sua noção de certo e errado no portão aqui do prédio. E entra. Entra todo você e todo meu que eu sou toda sua. Vem pra me dizer que volta e que fica, pra sempre.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Demorou, mas chegou.

Não sei quantas vezes abri esta página no último mês, quantas frases comecei e não soube terminar. Não sei quantos assuntos eu quis compartilhar e não consegui. Quantos sorrisos e quantas lágrimas que eu não soube traduzir. Tanta coisa que nem mesmo o que sempre foi minha válvula de escape conseguiu aguentar. Assim, as vezes eu travo. Tenho parágrafo e letra maiúscula mas não tenho um ponto final. Me falta um título para o ano que se foi, talvez um cartão de Happy New Year para o que se começa. Pode ser que eu já tenha começado errado, medindo o passado e não planejando o futuro. Seria injusto da minha parte esquecer 2011. Deixar passar todos os sonhos que realizei e todas as dificuldades que eu superei. Existiram cabeças baixas e existiram choros de madrugada, mas a mão estendida e a força de vontade sempre estiveram ao meu lado pra me fazer levantar. 2012 então vem pra ser ainda melhor. O que eu espero pra esse ano? Que minha vida siga o padrão do texto que eu sempre fiz questão de seguir. Título: Felicidade. Parágrafo. Letra maiúscula. Ápices. Introdução à simplicidade. Desenvolvimento de caráter. Desfecho dos erros. Enfoque? Perdão. Que eu seja assim, feliz, simples, com valores, persistente. Que eu seja perdoada e que eu aprenda a perdoar. E que ame sem medo de não acertar. O começo eu sei como vai ser. Durante o meio não sei dizer pois estarei muito ocupada vivendo. O final? Esse deixa que a vida coloca por mim. E que comece agora, por onde se deve começar.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Detalhes frescos


Você travou a porta do carro me impedindo de sair. A luz de dentro acesa iluminando bem as suas intenções. Meu sexto sentindo implorando uma frestinha de escape, mesmo que fosse só a abertura da janela. O seu olho no meu que quase entrava na minha mente dizendo que me queria. O pouco de juízo que ainda me restava perdendo força. 30 segundos com a porta fechada e a luz se apagou, e com ela levou toda a força que ainda me mantinha parada no banco do passageiro. Você me desafiou, não sabia porque eu resistia tanto a algo que não era segredo pra nenhum dos dois. Eu te desejava tanto quando você sonhava comigo. O salto alto que já não elevava meus pés, sua mão que eu parei na minha coxa. O canto do seu olho - que por acaso do destino não é verde como o da sua mãe - e a sua camisa que levantava imitando sua respiração. Você se segurava tanto quanto eu. O silêncio foi inevitável. E você se aproximou. Eu recuei por um instante tentando me convencer que eu não podia. Fechei os olhos. Você foi mais rápido que eu e deixou seus lábios encostarem no meu. Devagar. Eu vi faíscas saírem daquele beijo, que em segundos já não me continha nos limites do meu banco. Eu senti o choque da sua pela na minha, soltei sua mão que eu impedia até então. E esqueci. Esqueci tudo o que era certo e tudo o que eu não devia fazer. Eu já estava no lugar e hora errados mesmo. As faíscas só aumentavam na brasa que não dava conta da fogueira. O relógio apitou meia noite. Você se recompôs e disse precisar ir embora. O carro não era seu. Eu exitei mas voltei ao meu salto. Você destravou a porta..."Eu te ligo amanhã." Os olhos se encontraram novamente provando o mesmo veneno de antes. Eu dei as costas e saí. Espero sua ligação.

O violão e a lua.


Vamos pra longe. Não esquece uma troca de roupa e esse sorriso que me encanta. Pega o vinho ruim que eu tanto gosto e a panela de brigadeiro que você me ensinou a querer sempre. Não deixe pra trás a simplicidade que a gente curte. Mas deixa dar meia noite que eu quero ver a lua com você. Deita, deita aqui nessa grama já molhada do orvalho. Deita e não liga. Pega nesse violão e dedilha as cordas como dedilha minha respiração quando a gente ta assim, quase sendo um só. Fala manso no meu ouvido, meus olhos agradecem a visão tanto quanto suas palavras levantam cada pelinho do meu braço. Larga o nosso medo junto com a minha noção de perigo, que eu já perdi metros atrás de nós. Mas vem e me leva. Me leva para aquele sonho tão distante que eu sonhei noite passada. Gruda em mim. Não solta. Mas olha aquela lua. Ela só não é mais bonita que esse elo que a gente está fazendo questão de criar agora. Assim, no embalo do seu violão, nas cordas da minha respiração. Na sua força que eu faço questão de ser a minha. Eu e você, como um só.

domingo, 23 de outubro de 2011

You make it real

Ei, você. Saiba que eu só vou escrever esse texto porque eu sei que você vai ler. E vai rir e dizer que eu sou muito Caio Fernando Abreu, enquanto me manda uma das suas fábulas sobre porcos ou galinhas. E eu não vou entender nada e você vai rir de novo. E eu vou reclamar do seu jeito mas vou achar lindo. Lindo o modo com que você me olha quando eu abro a porta aqui de casa, o jeito que você me abraça enquanto eu fico na ponta dos pés. E você vai sussurrar alguma coisa no meu ouvido que eu não vou conseguir entender, talvez por ficar fascinada com o sotaque que você puxa em cada palavra que fala. E aí quem vai sorrir sou eu. E vou te abraçar por não querer te dizer tudo o que você tem me feito sentir. Cada fantasma dentro de mim que você tem matado sem perceber. E vai ser leve assim, sempre. Nós dois no abraço que nunca termina, no olhar que emenda o beijo. Eu sou orgulhosa mesmo, eu não vou te falar nada disso. Mas vai ficar aqui registrado pra você saber que eu gosto de você. A cada dia mais.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Se cuida

Menina, eu só quero que você se cuide, ta bom? Cuida de você, de quem você é. Cuida porque eu volto. Você foi pra longe, me largou aqui... você tem suas distrações, tanta gente nova, lugares que ainda não conhece, muita coisa pra viver. E eu fiquei aqui preso na minha rotina que não me permite te esquecer. É sua foto na mesa do meu escritório e seu post it escrito "gosto tanto de você" colado no espelho do meu carro. São as marcas que você deixou no meu dia-a-dia que insistem em me lembrar que você existe, mesmo tão distante. Por isso, se cuida ok? Não te peço pra não ser de mais ninguém, nem pra deixar de viver sua vida aí por minha causa. Só cuida desse coraçãozinho tão especial e já tão remendado. Muitas das cicatrizes fui eu que causei, eu sei. Cuida porque eu amo o barulho que ele faz enquanto você dorme, o levantar do seu peito com a respiração do sono. Gosto de como ele acelera quanto eu te abraço e respiro no seu ouvido. Então por favor cuida! Cuida porque daqui a pouco você volta. E eu vou estar aqui te esperando. Esperando seus post its, olhando sua foto na minha mesa. Cuida, e volta.

domingo, 25 de setembro de 2011

É que eu to ficando cansada. Cansada não só da situação em que me meti, mas também de tentarfingir que não sei que errei. E errei sim porque o que a gente está fazendo é pura vaidade. Seria completamente diferente se "a gente"se gostasse, sim, no plural. Aí sim valeria a pena arriscar tudo o que eu estou arriscando. Só que o que acontece, na prática, é que eu estou arriscando tudo por nada. Nada. Porque é isso que a gente vai ter. Nada. Só que você me aparece suprindo todas as carências que eu tenho, desde a preocupação se eu almocei até a mensagem de boa noite. E me irrita porque eu sei que tudo isso é só culpa. Culpa pelo que eu estou passando. E você não tem culpa, eu tenho. E ao mesmo tempo eu tenho plena consciência do quão envolvida eu estou. E estou, a ponto de pedir pra você não me perguntar mais uma vez se eu estou precisando de alguma coisa... Porque a resposta é você.