Mostrando postagens com marcador VIDA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador VIDA. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Passado


Não vou negar o meu passado e todos os erros e consequências que ele carrega. São tantos, são muitas. Eles me afetam e me consomem até hoje e construiram quem eu sou, com toda culpa, toda carência e todo medo. E por conhecer esse filme, insisto em colocar na sua mão essa corda que eu puxo com tanta garra e faço você segurar tão firme que mesmo se quisesse não soltaria. E eu te arrasto com todas as forças que ainda me restam, numa tentativa frustrada de te tirar desse pesadelo que só você não enxergou o fim. E essa corda me sufoca e me dilacera a cada passo, cada movimento. Tá ficando pesado. Não suporto o peso que você traz consigo. É demais pra mim. Eu não aguento te ver segurando esta corda com uma mão, sendo que a outra agarra um passado remoto e distante, um passado que vc insiste em fazer ser seu presente. Tô aprendendo que não basta apenas eu querer te ajudar, querer ser seu alicerce e sua segurança. É preciso que você se disponha, se entregue, chore, grite, esperneie, mas olhe pra mim. Mantenha seus olhos nos meus e não deixe que nada te faça olhar pra trás. Mas você não o faz. E por isso eu preciso desistir. Preciso desistir porque se eu não te soltar agora, vamos os dois praquele lugar sombrio de novo. E eu não tenho condições de ir pra lá novamente, não conseguiria voltar. Por isso eu tô soltando a corda. Pronto. Ela tá amarrada no meu pulso, mas você não mais a segura. Eu continuo aqui, presente, assistindo a sua vida de fora, acompanhando cada lágrima que você ainda derrama. Agora sente, feche os olhos, escute o silêncio que você provocou. Sinta a minha ausência e a falta do calor por perto. Você escolheu este lugar, não vou te obrigar a sair. Mas a corda continua aí, são apenas dois passos pra que você a alcance. Eu continuarei aqui, durante toda a minha vida. Quando você desistir de ser triste, apenas segure-a, e eu estarei do outro lado, pronta pra te ajudar a caminhar. E estarei firme, com o mesmo abraço de sempre, com a mesma voz que você procurava no telefone, com o mesmo perfume que vezes você tentou gravar o cheiro. Estarei aqui. São dois passos. Apenas dois passos.

domingo, 29 de agosto de 2010

Tonight is the night to let it go...


Existem noites que eu prefiro esquecer, como aquela em que fui obrigada a dizer Adeus. Aquela em que eu olhei no fundo dos seus olhos e disse que havia terminado algo que mal havia começado. E existem noites que eu sou obrigada a esquecer, pra não remexer aquela ferida que ainda lateja. E existem noites que servem exatamente pra que você suma da minha mente, enquanto outros olhos, outro abraço, outra voz tentam me decifrar. Tentam entender porque eu sou a única que não morre de amores, não inveja e não considera aquele encontro como uma vitória. E com aquele perfume que não é o seu, vem junto as doses de tequila, o limão com sal, o sorriso que eu forço pra não ser indelicada. Mas não vou ser hipócrita e dizer que enquanto estou ali eu lembro de você. Não lembro. O gosto ardente e forte queima em minha garganta enquanto eu começo a perder o foco. Eu estou sempre ali, parada, pronta, analisando cada traço e cada som, tentando achar algo que me faça ir embora. Mas naquele momento, qualquer coisa se parece melhor que lembrar do seu cheiro. E eu sigo a minha noite, aproveitando enquanto aqueles olhos são tudo o que eu posso ver. E é sempre bom, sempre agradável. O difícil é fazer aquela noite durar outra noite, e outra, e outra... Mas não pense nisso, hoje é a noite em que deixo me levar...

domingo, 22 de agosto de 2010

Único



Não vou mentir...é verdade, ainda reconheço sua voz e sua presença como se nunca tivesse se afastado de mim. Os ruídos do seu carro continuam sem se misturar com os tantos outros que estacionaram aqui em frente de casa. Continua sendo especial e único, continua sendo você. Eu insisto em te encarar procurando os olhos que diversas vezes estiveram tão limpos, tão firmes, tão cheios de confiança. Continuo te olhando querendo te dizer tudo o que eu fiz calar um dia. Talvez seja impossível, mas ainda creio no dia em que meus olhos serão suficientes pra te fazer entender que não existe outro, não existe abraço mais meu que o seu. E no fundo eu sei que é recíproco. Que você sabe que o seu coração e o meu deveriam estar juntos. Você sabe. Ou talvez não. Talvez minhas atitudes e minha vontade de me afastar tenham sido suficientes pra te fazer esquecer. Não o culpo, você tem o direito de ser feliz. Apenas nossas vidas são diferentes, escolhemos caminhos que não se cruzam e agora devemos percorrê-los. Mas também não me culpe se toda vez que eu te olhar eu sentir a mesma coisa e fugir pra outros braços pra me livrar de tudo isso. De fato não fomos feitos um para o outro, mas o destino se encarregou de mudar o fato. Mas não importa, esta escolha já foi feita: siga o seu caminho que seguirei o meu, sabendo que o passado vai ficar gravado em mim, como num antigo filme, onde o mocinho e a mocinha sempre terminam juntos e felizes, como se nada os tirasse do eixo. Só preciso me convencer que dessa vez este papel é dela e não meu...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Saudade


Há tempos algo vem me incomodando...começou leve, fina, quase imperceptível. Cresceu aos poucos como quem não quer nada, aumentou como se tivesse medo das próprias consequências e sem saber suas causas. Mas cresceu e agora toma um lugar tão grande que eu nem sabia que era possível existir dentro de um coração já tão ferido. Embora doa, não dói como dói um machucado superficial...dói fundo, tão fundo que não sei se é possível alcançar. Descobri no dicionário que o nome disso é saudade, que significa, entre outros, sentir falta de algo distante acompanhado de vontade de tê-lo. E minha saudade é dessas que não é possível suprir, saudade de algo que não volta, de palavras que já foram ditas, de atitudes que não podem ser desculpadas, tempos que ficaram para trás. Saudade de quando tudo se resumia em família, amigos e diversão. Saudade da simplicidade da visão de uma criança que acreditava sempre no final feliz. De acreditar que há solução, que o mundo não é tão asqueroso quanto realmente é. Saudade de quem eu fui, tão mais descomplicada e perfeitinha. Saudade de pessoas que não deixaram de existir, mas se tornaram apenas lembranças. Saudade de rir sem pensar, pensar sem me preocupar com o amanhã. Saudade de quando minha maior preocupação era o dia seguinte, e nada mais distante que isso tinha alguma importância. Saudade dessas que começa no cérebro, te faz entender o valor das coisas e acaba em lágrimas, lágrimas que nunca se secam...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Give me a break


A ausência tem me feito bem. Em especial a sua ausência. A distância de todos os seus dramas, suas dúvidas, suas incertezas. Sabe, se fosse em outra época eu provavelmente sairia correndo, chorando, implorando e talvez até procurando você em outras vozes, outros corpos. Mas eu estou aprendendo a lidar. Aprendendo a aumentar o meu espaço e construir planos que não envolvam você. Essa é a MINHA vida, são as MINHAS escolhas, os MEUS medos - e posso te dizer que dentre eles, a ausência não mais se encontra. Deixou de ser medo, virou necessidade. Mesmo assim eu continuo sendo a mulher que não pensa pra falar, muito menos pra agir. A mulher que ri quando não pode e fala o que não deve. Mesmo não sendo previsível, é fácil apostar que eu vou ter recaídas e vou acordar de noite procurando seus braços, seu abraço. Vou te ligar pra ouvir sua voz e desligar sem ao menos emitir um som. Mas acredite, eu estou melhorando, me curando. E é impossível curar uma ferida sem tirar o objeto cortante que a causou, irremediavelmente você tem que sair dalí. A sua ausência está te expulsando aos poucos daqui. Ausência daquele tipo que te ensina, que você é obrigado a conviver para sempre. Eu me acostumei com a sua, agora acostume-se com a minha, o meu lugar já não é por aqui...Adeus.

sábado, 3 de julho de 2010

Desabafo


Que ironia não? Aquela mesma pessoa que um mês atrás queria voltar, dizia sentir minha falta e me convencia que das suas escolhas eu havia sido a mais correta. Aquela pessoa que vezes me fez querer voltar atrás, renunciar toda a minha liberdade e o meu espaço por seus braços, seu coração. E hoje eu vejo os mesmos braços, a mesma alegria indo em direção oposta, contrária àquela onde eu me encontro. E me encontro ali, MAIS UMA VEZ, querendo correr de volta, provar pra mim mesma que o meu lugar é com ele, mesmo que eu saiba que as coisas mudaram, que ele mudou. Mas eu quero, eu faço questão de me machucar. De encarar as ceninhas talvez nem tão verdadeiras que ele insiste em me fazer presenciar. São telefonemas, e-mails, mensagens que não há a menor necessidade de chegar ao meu conhecimento. Talvez eu precise mesmo é aprender que quem escolhe muito fica com o pouco. Aprender que nao existe pessoa perfeita e que príncipe encantado ainda tá preso nas folhas daquele velho livro empoeirado debaixo da minha cama. E aprender que mesmo encarando sempre como um joguinho, nem sempre eu vou ganhar, e que por ser meu não o torna menos perigoso. Talvez não seja só o costume de tê-lo por perto, de saber que ele estará ali me esperando, me suportando, me acalmando... talvez seja amor. Amor esse que como sempre só se percebe a existência quando se perde. Então parabéns: você ganhou...e eu perdi.

domingo, 27 de junho de 2010

Extremos



Deixando de lado todos os amores e os casos que vêm inundando minha vida e consequentemente meus textos, hoje quero falar sobre mim. Eu sempre fui aquela que se destacava por não se satisfazer com o pouco, em todos os sentidos. Por querer sempre mais e melhor, conheci os extremos do humor e do emocional. Eu conheci o extasy da alegria e o inevitável fim da depressão. Mas eu fui forte o suficiente pra que isso não me destruísse, mas me mostrasse o real sentido de estar aqui. Eu descobri que não importa quantos buracos estão na minha frente, eu vou pulá-los, desviá-los, cobrí-los, mas vou superá-los. O número de escaladas, montanhas e tempestades é proporcional ao número de vitórias e realizações. Nunca me disseram que a vida era fácil, e de fato não é. Mas reconheço sua beleza em cada brilho do sol, em cada grau que este me proporciona para me esquentar. Do mesmo modo que aprendi inúmeras liçoes em tão pouco tempo, reconheci que nem tudo é como parece, e que nem metade do que suponho saber eu realmente sei. Talvez tudo seja questão de tempo mesmo. Esse traiçoeiro que muitas vezes me derruba e me ensina o significado de saudade enquanto cura tantas feridas e suaviza tantas cicatrizes. Ou talvez não. Talvez seja o curso natural da vida mesmo: andar, cair e levantar. E nesse percurso conhecer pessoas que valham a pena e outras que nem tanto. Rir o suficiente pra fazer a barriga doer. Chorar a ponto de valorizar um bom sorriso. Ter amigos pra que essa caminhada seja mais amena. E aprender que alicerces podem não durar para sempre, mas por muito tempo me mantiveram em pé, e seria injusto não reconhecer isso. Assim, venho mudando os meus, transformando-os em mais fortes e quem sabe mais seguros. Eu tenho aprendido que a vida é assim, não se pode taxá-la como imutável e inerte, ela gira num ritmo semelhante ao pulsar do meu coração, onde corre um sangue fresco que implora pelo futuro. Futuro esse que eu desisti de taxar: eu vou viver e quem sabe enquanto vivo eu possa responder tantas perguntas que me rodeiam, mesmo que eu ainda não tenha certeza de quais são...

domingo, 6 de junho de 2010

foi você, e mais ninguém...


Foi-se o tempo em que meias verdades, meias promessas e meios beijos me prendiam. Eu sei que relacionamentos pela metade, raspas e restos já não me atraem. Eu sei que você fez parte da minha vida e deixou nela marcas que nenhum outro cara vai apagar. São como tatuagens, não importa quantos outros desenhos você faça em cima do antigo na tentativa de apagá-lo, você sempre lembrará que embaixo deles, havia aquele. Aquele que foi o primeiro, aquele que te apresentou as famosas borboletas no estômago. É verdade que você levou um pouco de mim com você, junto com todas as cartas e as lembranças. E de algum modo você ficou aqui. Em cada canto e cada foto. E apesar da imaturidade e da falta de experiência ter nos desgastado e nos levado em direções diferentes, eu sei que você está ali, na essência de cada pensamento. E está intacto, livre de todas as brigas e desconfianças que vieram com seus sucessores. E apesar de ter durado aqueles poucos dias ou meses, a verdade estava impressa em cada olhar e palavra. E sabe, dentre todas as coisas, você me ensinou o valor do real e do verdadeiro. Eu devo isso a você, então, seja lá aonde esteja, eu mal posso esperar que nossos caminhos se cruzem novamente, por acaso ou por destino, mas se cruzem...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Jamais


Eu quero que você saiba que a culpa não é sua. Eu não deveria nem ao menos ter começado, ter pego essa estrada. Eu achava que sabia onde ela iria dar, e cada pedra em seu caminho eu quis crer que poderia pular. Mas eu não tinha noção de quem encontraria por essas terras e quem eu poderia machucar. Você fez tudo o que qualquer garota poderia querer, tudo o que um dia eu sonhei. A gente tinha a química e a conversa, o silêncio e a bagunça que eu precisava. Mas eu sei que não posso te fazer feliz se eu não estiver feliz. E acredite em mim, por favor, você me faz um bem indescritível e inabalável enquanto está comigo, mas quando você vira as costas meu mundo volta a ser raso como um açude na seca. E eu não posso viver assim, eu preciso enchê-lo novamente, preciso me certificar de que ele não se esvaziará. E eu te amo o suficiente pra querer te ver feliz, mesmo que isso implique em deixar você ir, em pedir que vá. Pegue suas chaves, seu carro e corra. Corra pra bem longe, onde eu não possa te encontrar, tudo parece tão errado que eu não quero correr o risco de voltar atrás.Eu sei que vai doer, dói em mim também, a ponto de pensar em desistir, em correr pros seus braços e me afundar no seu moletom. Mas eu preciso ser forte, eu preciso dizer adeus. Eu sei que não tenho o direito de pedir, mas mesmo que eu me torne apenas uma lembrança, não me esqueça. Eu jamais te esquecerei...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Não tão sólido...


Todas as minhas certezas tem sido questionadas como se nunca tivessem sido construídas em alicerces tão fortes quanto foram. Toda a minha razão tem se esvaído de forma que não sei explicar. Tudo o que eu pensei ser, talvez eu já não seja mais. Eu demorei muito tempo pra me encontrar e o que eu achei já não se encaixa, não combina com o que eu vejo no espelho. Mas não, eu não estou caindo naquele poço fundo que já conheço de outras épocas. E é o mais estranho, eu estou bem. Eu posso não saber o que eu quero, mas eu sei o que eu não aceitarei aqui comigo. Eu já não preciso que me digam o que não fazer e me mostrem os próprios erros... eu convivi tempo suficiente com eles pra querer estar bem longe de tudo o que me traga qualquer traço de lembrança. Eu estava lá e eu vi. Eu assisti toda a sua vida escorrendo pelos seus dedos enquanto você se distraia com coisas fúteis. Enquanto sua razão era tamanha que não te deixava respirar. E agora, longe de todo o seu controle, eu sei o que é ter fôlego, o que é sentir minha própria vida em minhas mãos. Eu sinto muito, mas eu não quero essa sua razão, esse seu conceito de certo e errado. Foi seguindo-o que você chegou onde está hoje. E eu não quero me encontrar neste mesmo lugar daqui uns anos. Eu vivo pra ser feliz, pra traçar meu caminho, pra fazer feliz quem está à minha volta. Não preciso da sua razão pra isso. Eu preciso de paz, de abrigo, de silêncio, mas ao mesmo tempo de farra dentro de mim... de fato eu preciso, e eu sei onde encontrar...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Eu quero...


Essa coisa de príncipe encantado, de noites mágicas e vestidos rodados nunca me fez sonhar. O glamour e o reluzente sempre estiveram, para mim, muito distante de todos os contos de fada. Eu mesma, nunca quis ser princesa, nunca fui de esperar que um belo homem lutasse por mim e me salvasse de perigos. Eu não tenho pele de boneca e nem sou tao inocente quanto uma. De fato, não faz meu tipo. Eu sempre gostei da realidade, do extremo e do confuso. Eu quero mesmo é entrar na sua cabeça, é fazer você pirar. Eu não quero um romance utópico nem promessas que não podem se cumprir. Eu quero o real, o tocável, o de verdade. Eu estou aqui pra você, mas já te aviso que eu não sou a menininha que vai correr atrás e te implorar por atenção, já passei dessa fase. Eu quero mesmo é estragar suas noites de sono, é bagunçar todas as suas convicções. Eu quero passar como um furacão, deixar marcas que você não vai esquecer. Eu quero te fazer rir e abaixar todas as armas que você faz questão de manter carregadas. Eu quero e eu vou! Afinal, o lado bom de não ser a princesinha é que ninguém espera que no final eu faça tudo certo. Eu não quero o certo, ou talvez queira. Depende do que meu coração me disser. E eu quero o que ele quiser.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Menina


Ela tem cara de maluca e olhar de sonhadora, corpo de mulher e coração de criança. Vive com música nos ouvidos e o coração na palma da mão. Anda como se fosse dona do mundo, sonha como se pudesse tornar todos os sonhos em realidade. Vive do presente, mas não se esquece do passado. Ela não sabe disfarçar, diz o que pensa e odeia mentira. Não tem medo de se apaixonar, mas mede as decisões centímetro por centímetro. Encara os problemas de frente, é garota forte. Mas precisa da sua proteção às vezes. Precisa de um abraço e de um beijo para se sentir segura. Mesmo assim resolve os problemas sozinha. Ela ama com o coração e não com os olhos, ela se entrega, mas se proteje. Se faz de desentendida porque quer ouvir você dizendo. Mas na verdade sabe muito bem o que quer. Ela tem defeitos e sabe reconhecê-los e aceitá-los. Nunca acha que é tarde demais para uma mudança e muito menos para um recomeço. Nunca deixa que digam que não é possível. Pelo contrário, pisa o pé e faz questão de mostrar ao mundo que é capaz e que nenhum sonho é grande demais pra que ela o realize.

Porto Seguro


Aí eu cansei. Depois de tantas voltas, tantas curvas, eu estava exausta. Saturada das explicações, dos argumentos, do vazio de sempre. Então eu resolvi sair. Deixei o casulo de lado, a zona de conforto e fui pro mundo. E cada hora eu me encontrava em um lugar diferente, com uma sensação diferente, em braços diferentes. Fiz tudo o que um dia achei que me faria feliz: pulei de pára quedas, conheci gente nova, sai e pela primeira vez me permiti ser livre. Realmente, tudo isso me deixava bem, muito bem. A energia corria pelas minhas veias e meu corpo reluzia minha alegria. Mas logo o efeito passava, o álcool se diluía, os braços me soltavam... E tudo voltava a ser como era a antes. Eu continuava procurando algo que não sabia o que era. As explicações, os argumentos e o vazio continuavam a me cercar. Procurei ainda mais fundo, fiquei louca, me embreaguei, me suicidei, ressuscitei de onde jamais alguém acreditou que teria forças. Mas a procura continua presente. E assim eu vou enlouquecendo cada dia mais, sem respostas, sem gritos, apenas enlouqueço. Continuo esperando, remoendo o passado, buscando segurança e paz, mas não desisto. Sabe, deve haver um porto!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Minha escada.


Ah, com o tempo você acaba percebendo muitas coisas que jamais enxergou. Elas sempre estiveram lá, mas sempre houve algo que te impedisse de vê-las. Não adianta se culpar, a culpa não é sua. Na verdade você precisa disso. A vida foi feita para que você virasse cada esquina de uma vez, sem saber o que haveria depois da curva. Você é obrigado a se acostumar com surpresas, imprevistos e situações com que não sabe lidar. E vai aprender a conviver com isso aos poucos, e é exatamente por isso que existem coisas que você não compreende, você terá que ir devagar ao longo da sua jornada descobrindo tudo o que a vida pode lhe oferecer. Terá que fazer escolhas e tomar decisões muitas vezes difíceis e jamais saberá o que está por vir. Terá que aprender a esperar também. Esperar o resultado de suas decisões, esperar o tempo das pessoas que vivem a sua volta, esperar o seu próprio tempo. Mas não pense que os outros esperarão o seu tempo, não, seria muito fácil assim. Então você vai parar para esperar e as pessoas vão passar por você no tempo delas, vão te atropelar, te machucar e te derrubar. E mais uma vez você vai reconstruir os alicerces e se levantar, degrau por degrau. Algumas pessoas vão parar pra te ajudar, vão descer um degrau pra te deixar subir, mas não se acostume, essas são poucas. Não pense que se alguém não parar é porque não te ama, não é isso. Apenas as pessoas precism seguir seus próprios rumos, e pra isso elas podem não enxergar você ali. Enquanto você chora sentado no chão do seu banheiro ou soca seu travesseiro, o mundo continua girando... Ah, esse? Esse não se importa com o que acontece com você. Ele gira, gira, gira.... Em alguns desses movimentos ele derruba as coisas, bagunça as vidas, mas no final tudo volta ao seu devido lugar. Mas você precisa cooperar, precisa levantar a cabeça quando te jogarem ao chão, precisa seguir em frente, precisa dizer pro mundo que muitos buracos ainda servirão de poço para você, mas que você tem sua própria escada que te acompanha sempre. Alguns a chamam de Deus, outros de amigos ou até de família. Não importa, você tem a sua, só precisa achá-la e usá-la. Mas ela poderá se quebrar um dia, e então, você deverá servir de escada para ela, até que ela se reconstrua e volte a ser a sua. E a vida é assim, nunca para, sempre muda, te empurrando em vários caminhos diferentes. Basta você escolher o seu.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Já passou da hora...


Já passou da hora de levantar. Vários meses se passaram e eu não posso mais permitir que eu continue parada. Vou limpar minha casa, abrir as janelas e vou respirar. Mas vou respirar bem fundo, pra que o ar encha meus pulmões e me mostre vida. Eu vou ligar o chuveiro e vou tomar um banho gelado, pra que lave todas as minhas sombras. Eu vou me olhar no espelho e vou ver a beleza dos meus olhos. Vou rastejar até conseguir andar. Então vou abrir minhas asas e vou reaprender a voar. Vou cair, vou levantar e vou tentar de novo. Vou me permitir. Vou me destrancar. Vou tocar o céu, vou em direção ao Sol. Vou sentir o calor e a luz, vou sentir a brisa do oceano, vou me jogar no mar. Vou encarar tudo o que me dá medo. Vou mostrar que sou forte. Vou procurar minha felicidade, seja longe ou seja perto. Já passou da hora. Eu estive mesmo perdida por aí, presa no tempo, mas sabe, não nasci pra ser triste e não vou deixar que isso aconteça.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sou assim



Sou assim. Sou direta, sou esperta, sou moleca, sou briguenta, sou marrenta e sou assim. Sou garota com sonhos, sou mulher com desejos. Sou de fases, de luas, de estados, em constante mutação. Sou diferente, sou igual a tudo o que não tem nome. Não gosto de estereótipos, não gosto de fachada, não gosto de mentiras. Gosto da verdade, gosto da tarde, gosto ainda mais da noite. Gosto das palavras, dos encantos, gosto de acreditar que ainda tem solução. Gosto de encrenca, de bagunça, de farra e de alegria. Ainda assim gosto de ficar sozinha, de chorar e de sentir dor. A dor é a amostra mais pura de que ainda existe vida. Vida, gosto dela. E ela gosta de quem gosta dela. Ela gosta também de pregar peças, de derrubar, de erguer e de bagunçar. De mexer com a gente, de cruzar caminhos, de deixar marcas. E eu gosto das marcas, não fossem elas, não teria aprendido metade do que sei hoje. E o que sei? não sei não. Pra mim a vida não é feita de certezas, e nem certeza disso eu tenho. E eu gosto disso também. Adoro ser inconstante, imprevisível, incerta. Apesar disso, não gosto de surpresas. Gosto de ter o controle, segurar as rédeas. Ainda assim gosto de alguém querendo tomar o controle pra mim. Gosto do abraço, do beijo, do toque. Gosto do calor, do cheiro, da respiração. E ainda consigo gostar da liberdade. Gosto do vento no meu tosto, da chuva no meu cabelo. Gosto do sol, e gosto da lua. Gosto de ser diferente, de causar impacto e mexer com a sua vida. Gosto de decifrar o indecifrável, caminhar o desconhecido, ir em frente, mesmo que todas as forças me puxem para trás.

Tá escuro.


Eu to mesmo é sentindo falta. Sentindo falta da esperança, da vontade de continuar. To sentindo falta de acelerar o coração, de suar as mãos, do friozinho na barriga. To mesmo sentindo falta de olhar as estrelas, desenhar nas nuvens, rir do nada e chorar vendo a chuva cair. To sentindo falta do sentimento, do calor e do abraço. Então eu me acho aqui, esperqando o sol se esconder lá no fundo, para que quando escurerça o mundo seja só meu. Pra que eu não precise mais mostrar que quero continuar, que quero acelerar, que quero o calor e o abraço. Aí sou só eu e as estrelas. Eu e o vazio que me impulsiona. Mas é assim mesmo... a noite me conforta, me faz respirar quando o dia já me sufocou. Faz com que eu não precise fechar os olhos pra não ver. Me faz sentir o silência e ouvir meu coração. E ele grita desesperado, me alertando que daqui a pouco o dia amanhece.

Vai e vem de vida



Preciso admitir que ultimamente estive perdida: vaguei por aí, passei por vidas, conheci lugares, o mundo girou e a vida deu voltas. Mas no final foi como se estivevesse ficado parada, intacta, inerte.
Tive amigos, tive amores, tive tudo e ao mesmo tempo nada. Importei-me com insignificâncias e deixei passar detalhes. Iludi-me com palavras e apoiei alicerces em areia. Sonhei, voei e caí. Mas no final descobri que a vida é agora e é minha.
Descobri que paz é o que a gente sente quando percebe que tomou a decisão certa, quando tem a sensação de dever cumprido, quando fecha os olhos e adormece. Descobri que grandes não são os meus sonhos, grande tenho que ser eu para transformá-los em realidade.
Descobri que não há limites quando o assunto é felicidade, e não há como buscá-la. Ela vem até nós. Felicidade não passa de mera conseqüência das nossas escolhas. Aprendi que a vida é feita para se amar, e que amor maior é o que a gente tem dentro de si. Amor que nos permite impor limites, estipular regras e ao mesmo tempo ser livre.
Descobri que a tão almejada liberdade nada mais é do que poder seguir meu caminho acompanhada. Não é ser sozinha, não ter vínculos. Mas sim ter vínculos saudáveis, que me dêem alegria, me me façam feliz. Vínculos que quando saturados podem ser quebrados e reatados mais tarde, quem sabe.
Descobri ao final, que minha estrada só está começando, que a partir de agora sou eu e quem quiser vir comigo. Agradeço quem caminhou junto a mim, mas agora vamos avançar. A direção é pra frente, sem olhar pra trás, mas com a certeza de que se olhar para os lados, encontrarei vocês, prontos para festejar comigo cada nova conquista.